Percorres as ruas pelo fim da tarde e dizes
que és feliz a cantar.
São leves os teus passos, como penas
que voam no ar.
Quem me dera ser a calçada que pisas!
E o vento sopra
As portas trancam-se e as luzes frias
anunciam a chegada da noite.
Eu venho com ela e tu não sabes.
Sou a sua companheira, mas chego pelo silêncio
para ouvir a tua voz, porque de mim
escondes sempre o teu cantar
Como eu me tenho escondido da vida...
E em momentos que por nós passam,
no meio dos sei lás e porquês
segues-me pela rua,
tão distante e misterioso
como quando as crianças seguem a lua
Não sei porque vens
nem para onde vais,
sei que pertences a ti
como o mundo pertence ao Universo.
Sei que em cada canto da cidade
já se ouviram os teus refrões
Perguntas, depois, por mim à noite
mas ela nada te diz
porque a noite que eu conheço
dança e canta... e é feliz
E eu desinteressada,
sempre com a indiferença que em mim existe,
nem quero que a companheira saiba
que hoje foi o vento quem me levou
Mas se ela te perguntar
se ela quiser algum dia saber
porque fui
e não voltei
diz à noite que não sabes, que não queres, que não podes saber de mim
porque errar dá cabo da alma
e eu errei, oh se errei!...
8 comentários:
já te disse que adoro a tua veia poética? adorei, Ana, adorei mesmo!
gostei muuito, de coração. Deixaste muito de ti aqui, e isso vê-se
de nada miúda! obrigada eu :))
Está tão bonito! :))
adoro ler-te neste formato, em verso, tens algo poético em ti, algo encantador que me agarra ao que escreves! um beijinho para ti, continua:)
vim cá reler. tenho saudades tuas
Numa coisa somos extremamente parecidas: na esquisitice com a comida! A minha avó costuma até gozar comigo a dizer que o homem que se casar comigo vai-me enviar de volta para casa dos meus pais por não gostar de quase nada!
Para tentar retribuir ao mundo as coisas belas que ele me dá
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