16 de agosto de 2013

Pôr-do-Sol

O dia começa a chegar ao fim.
Sinto-me sozinha. Cansada do vento, das folhas, daquilo que me domina. Não sei porquê. Tento compreender-me mas acho que é impossível compreender aquilo que faz parte de nós quando ainda somos uma incógnita.
Mas é tão bonita esta brisa. É tão bonito este fim de tarde.
Sento-me no chão, absorvo aquilo que vejo. A natureza agora faz parte de mim. E é tão bonito o pôr-do-Sol... Aqui sentada sou o vento que afinal não me cansa, sou as folhas, o calor, os cheiros. Sou o universo inteiro e o dia que começa a chegar ao fim.
Somos sempre aquilo que desejamos, nem que seja a sonhar, não é verdade? E eu sonho. Sonho muito. Porque basta um por-do-Sol neste campo para me fazer sonhar.
O tempo vai passando e eu olho para o relógio que tenta aprisionar-me. Hoje sou livre, tenho o universo em mim e um dia de verão que não quer abandonar-me. Mas estou sozinha. Beijo a brisa, olho o relógio; sou livre e só. 
Falo mas só o eco me responde. Calo-me e o vento sussurra, se calhar já está na hora de partir.
Levanto-me e o silêncio quebra-se dentro de mim. As coisas que se aprendem num fim de tarde...
Hoje a natureza ensinou-me que posso ser universo, voar com as folhas, fazer o que quiser. E hoje agarro o por-do-Sol, não estou só.
Enquanto estiver neste campo, o Sol estará sempre comigo.

2 comentários:

Ricardo Cunha disse...

Bem, agora apanhaste-me...
Boa pergunta...
Mas, se não fosse louco, gostava de ser o Chapeleiro

Ricardo Cunha disse...

Eu sei, é uma das minha personagens preferidas, é excêntrico e louco, isso agrada-me!