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Eram onze horas e vinte e três minutos de mais uma manhã de Outono, o gato respirava suavemente enquanto estava deitado no tapete felpudo daquele quarto.
«Quantas vezes já vos disse que a minha irmã é louca?», repetia ela constantemente. E eu do outro lado da porta, a ouvir.
Nunca entendi porque raio a minha irmã fazia questão de se encontrar com um bando de pessoas (nem sei se lhes posso chamar de amigos) em minha casa, na nossa sala. Nossa, quer dizer, não sei se é nossa. Já foi minha, agora é dela.
«E o pequeno-almoço, querida?», perguntou-me docilmente a minha mãe. Como se não me conhecesse e como se acreditasse que eu era normal. Não quero mãe, tira da tua cabeça de uma vez por todas que não gosto de comer de manhã e que não vou morrer por isso. E ela insistia «Querida, precisas de te alimentar!», ai mãe, se eu te dissesse do que preciso, se tu realmente entendesses tudo o que se passa na minha mente e tudo o que me ocorre quando me dizes “precisas”. E não sou a tua querida. Nunca mais digas isso.
As criaturas sem cérebro que riam com a minha irmã (outra com escassez de inteligência) calaram-se quando me sentiram no corredor. Bati a porta com força e fui para a parte mais alta da casa. Era a minha divisão preferida. Sem mãe, sem irmã, sem risinhos de ignorantes. Sem nada. Bem, talvez esteja errada. Até tinha bastantes coisas naquele pedaço de madeira e vidro. Tinha livros, um colchão, uma manta e um gira-discos. E chegava-me, conseguia viver e sobreviver com isso. Até quando… «ALMOÇO, meninas!», a minha tia sempre a gritar. Como se toda a gente do mundo fosse surda como ela. É daquelas pessoas que só devia existir para nos dar presentes de Natal caros e dinheiro nos anos. Oh, nem mesmo assim. O que é que estou para aqui a escrever? Não gosto de nada disso. Eu a tentar tornar-me membro oficial desta família de fúteis. Nunca vou conseguir. E agradeço a Deus ou quem quer que seja que nos comanda (se é que somos comandados por alguém), por me ter afastado durante todo este tempo desta família, deste bando de interesseiros.
Desço as escadas e regresso à realidade. Os teus amigos almoçam connosco? Pensei eu depois de me cruzar com um dos incompetentes, espero bem que não. Prefiro comer com o cão. Aliás, eu prefiro sempre comer com o cão. Sempre me ouve e fica calado. Antes de ir para a cozinha, tenho de ir à sala. Está tudo no sítio. Os quadros estão tortos, os papéis estão no chão, os livros formam uma coluna até ao tecto e os vinis estão virados ao contrário. Tudo como eu gosto. «Está frio aqui», disse eu. É melhor meter mais lenha. E como se alguém adivinhasse o futuro e me quisesse irritar: o baú das fotografias estava aberto. AS MINHAS FOTOGRAFIAS estavam no tapete. Foi como se o mundo parasse diante de nós e o papel dos nossos barquinhos de infância nos cortasse os dedos.
E esquecemos por momentos o gato que dorme, a lareira acesa, os risos, a sala (e com ela as recordações), o baloiço ao vento e aquela manha de Outono.
tentem lá adivinhar o que é isto :DD
5 comentários:
nao me canço de "te" ler, vezes e vezes sem conta!
claro (:
so IN LOVE com a tua fotografia e os teus oculos!
Pois a qualidade é mesmo horrivel,mas felizmente dá que a uns mesinhos já tenho a minha bebé nova :D
* ,as é melhor que nada right?
xoxo
telmasofiia.blogspot.com
Obrigada!
Também sigo o teu :)
Adoro os teus óculos!
Uma história? (:
Pena este romance ter acontecido comigo, teve tudo menos de bonito infelizmente $:
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