Quando o eco se transforma.
Quando o eco se torna mais forte do que eu. Eu grito. E o eco desfalece sobre as paredes sombrias da casa.
Escadas de madeira. Pobres escadas de madeira. Cheias de arranhões estranhos. Pegadas antigas, memórias esquecidas. Nelas estou sentada. Permaneço sentada presa a mim própria e liberta dos meus pensamentos. Não há nada para pensar. Ao pensar esquecemos. Não sonhamos. Deixamos a nossa velha infância morrer.
Senta-te nas escadas comigo e pára de pensar. Deixa que a chuva te molhe e não te esqueças que um dia o Sol virá secar a água que te encharca a vida.
O Eco permanece ao meu lado. Silencioso. A ouvir-me.
Subo as escadas. Sonho mais alto do que a Lua. Grito.
Sento-me nas escadas. Nas pobres escadas de madeira. O Eco está lá, a ouvir-me.
Amanha vou sossegar. Não vou gritar.
Afinal, de que me serve gritar quando hoje sou rainha do meu mundo, sentada no meu trono de madeira, cheio de arranhões estranhos, pegadas antigas e memórias esquecidas.
Ana Margarida Ramos,
7 comentários:
Se chorar é preciso para poder sorrir com uma felicidade renovada, então não pararei de chorar. E não é necessário secares-me estas lágrimas. elas conforme caiem levam todos os meus pecados e todas as minhas tristezas com elas. Obrigado por me fazeres ler o que é certo, o que me faz feliz. Não faças um livro por favor. Faz páginas soltas, e que o mundo as procure, de modo a tornar a aventura da vida mais interessante. <3
Ana adorei :D
porque anaa?
Mas é que não dão mesmo valor, cada vez noto isso nas pessoas que me rodeiam.
ai o meu sofá...
Diz que sim, Diogo Luís, diz que sim...
gosto muito,ana :D
Enviar um comentário