Um dia, enquanto estava a dar as minhas voltas da treta pelo jardim da cidade, deparei-me com um estranho senhor sentado num banco de madeira. Para além de mim, só ele e a sua triste solidão ocupavam o jardim naquela manhã de Inverno. Fixei o olhar no velho, tinha um chapéu antigo, uma barba branca muito comprida e as mãos estavam entrelaçadas, ambas em cima das suas pernas. Não tinha bengala nem algo do género, parecia fascinado com o correr da água do rio. Quando me aproximei, num simples piscar de olhos o velho já estava num outro banco. Tentei aproximar-me novamente, mas o velho continuava sem parar. Corri. Corri para o tentar alcançar. Já cansada e sem fôlego, parei e tirei o meu relógio de bolso. Assim como o velho, os ponteiros do relógio estavam a andar cada vez mais rápido. Desisti. Sentei-me num banco e tentei entender aquela fascinação pelo rio. Fechei os olhos e ouvi os sons que me rodeavam. A minha alma estava agora limpa e pura,como a água do rio. Abri os olhos e olhei para o relógio, os ponteiros abrandaram e a corrente do rio estabilizou. No banco ao lado estava o tal velho. Sorri-lhe e pela primeira vez, olhou para mim. No brilho dos seus olhos transportava felicidade. Afinal não era assim tão solitário. Já eram 11 da manhã. «O tempo passa tão rápido!», disse. «A menina é que não vive cada momento com a devida intensidade.», respondeu-me. Fiquei com uma cara de parva, não tinha compreendido isso de "viver cada momento com a devida intensidade". Após isto, levantou-se e foi-se embora. Nos bolsos do casaco de antílope tinha muitos relógios, todos com horários diferentes, mas todos os ponteiros andavam ao mesmo ritmo.
No final desta manhã, aprendi uma grande lição de vida. Descobri quem era aquele velho de barbas compridas e sobretudo, descobri quem era eu... E o meu "amigo", nunca mais voltou... Foi ensinar mais pessoas a aproveitar cada segundo da vida. Adeus, velho, adeus Sr.Tempo.
Meus caros, o tempo não pára e não espera por nós!
Ana Margarida Ramos,

6 comentários:
Parabéns, escreves mesmo bem, Ana! <3
Tenho que te dizer que o texto está maravilhoso,a escolha das palavras e a forma como as organizaste deixou um texto apetitoso de se ler.
Eu sinceramente não consigo aproveitar o tempo, perco-me nele :s
Obrigada a sério *-* , eu tenho andado ansiosa por textos teus, e digo-te desde já que a forma como escreves fascina-me, principalmente pelos adjectivos e palavras, é algo que ainda não consegui adquirir :p
parece que somos as duas *.*
Gostei imenso :'o
O que tu dizes e bem verdade.
às vezes deparo-me com uma corrida com o tempo e vejo que não vivo cada momento como deveria viver e que o tempo não pára.
ADORO o teu blog Ana **
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