27 de maio de 2017

13 de maio

como é suposto começar a escrever algo quando tanto ficou por dizer?

sempre me preparaste para tudo (ou, pelo menos, tentaste) mas, desta vez, creio que nem mil anos chegariam para me fazer suportar o que nos aconteceu: 
deixaste-nos no intervalo de um sopro e quem me dera poder congelar o tempo para ficar de mãos dadas contigo durante muitas e muitas eternidades. 

foste o meu colo, avó: a verdadeira sanidade quando tudo à minha volta parecia ser uma loucura. limpaste-me as lágrimas quando elas não me deixavam ver e fizeste-me rir descontroladamente quando só me apetecia desaparecer, por achar que não conseguia mais: e, porque em momento algum deixaste de acreditar em mim, eu consegui sempre. 

aconchegaste-me ao pé de ti em todos os nossos invernos e adormeceste comigo à sombrinha no verão, quando o calor não nos deixava ficar horas a fio a conversar. 

hoje, ainda não é verão mas adormeceste para sempre, avó.  
e por mais que eu tenha em mim toda a coragem que me transmitiste a vida toda, não sei como serão os dias a partir daqui: sem o teu colo, sem os teus abraços, sem as tuas mãos (tantas vezes entrelaçadas nas minhas) a aconchegar-me e a proteger-me, sem o teu riso, sem os teus olhos verdes, sem o teu empenho, dedicação e entrega à menor coisa que fazias, sem o teu amor de mãe, de avó e de melhor amiga. 

contigo aprendi que a força de vontade é o que nos distingue e nos torna únicos; que a coragem é um lema de vida; que somos capazes de tudo; que os nossos medos existem para nos tornar mais destemidos e que, apesar de todas as batalhas difíceis que travámos, no fim do dia teremos sempre um abraço quente e um colo para nos confortar. 

foste sempre esse colo, avó, e sei que, onde quer que estejas agora, continuarás a ser um refúgio de calma, de miminhos e de amor, quanto tudo à nossa volta for uma tempestade. 

acima de tudo, quero que saibas que tenho o maior orgulho em ter partilhado quase 20 anos da minha vida contigo, de ter herdado tanto, tanto, tanto de ti e de ter tido ao meu lado um verdadeiro exemplo do que é ser mulher. 

sei que agora estás bem, ao lado do avó, o grande amor da tua vida, e também sei que, apesar da enorme saudade que fica nos nossos corações, tudo o que era teu ficará retido na eternidade desse sopro gelado em que nos deixaste. 
e eu prometo-te que, enquanto o vento soprar, seja em que direção for, viverás para sempre no nosso arrepio.

1 comentário:

Unknown disse...

Amores que se vão mas que nunca deveriam ir . Avos