beijámo-nos numa noite de chuva e a eternidade desse momento acabou, ao longo do tempo, por transformar-se em nada para mim.
eu era frágil e a minha imbecilidade era tudo menos leve.
hoje, sou pena de ave que percorre o vento sozinha, sem pesos nem pessoas a mais.
hoje, tu és tudo menos o mundo para mim, porque a tua imbecilidade é ferro quente que dói - (a mim já nada me dói).
aquela noite de chuva e a noite de hoje de vento são noites com-ple-ta-men-te diferentes. e, sabes, também nós somos pessoas diferentes daquilo que fomos um dia à chuva um para o outro.
não recordo o teu cabelo. não ouço a tua voz na minha cabeça e, sinceramente, arrependo-me de algum dia ter ouvido o teu riso descontrolado.
dizem que não nos devemos arrepender daquilo que nos fez feliz (e talvez tenham alguma razão)... Mas depois de tudo, depois de todas as pequenas grandes coisas que tivemos, se pudesse voltar atrás no tempo (àquele tempo em que eu e tu éramos nós) preferia ter aproveitado a chuva sozinha. e teria dançado sem ti.
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