A janela do meu quarto está aberta. A brisa entra em danças voluptuosas e discretas que eu acompanho.
O parapeito da janela está gélido, tenho frio. Olho para mim e sinto-me antiga, igual. O cabelo continua castanho, os olhos continuam pequenos, os lábios continuam finos...
Já tentei contar as estrelas, foram mil e uma vezes as vezes que tentei contar. E falhei. Como tem acontecido ultimamente.
Num fechar de olhos, ouço os "tic-tacs" de todos os relógios da minha casa. Ouço-me a mim mesma e não me consigo entender. Podia estar com o meu pai lá em baixo, a ler com a minha mãe no quarto, ou mesmo a passear com o meu irmão numa cidade desconhecida. Mas não, estou sentada, a ver o céu. E mal uma estrela se apaga, percebo que não sou antiga nem igual. O meu cabelo está mais comprido, os meus olhos estão mais brilhantes e os meus lábios ganham uma nova ferida a cada dia que passa.
Permaneço aqui sentada no parapeito gélido à espera que o Peter Pan me leve para a Terra do Nunca. Continuo a acreditar nele e na Sininho, porque para além de serem os pioneiros das minhas fantasias ensinaram-me que na verdade não somos pó, somos Magia!
Descobrimos no silêncio algo excelso e não, não somos nós que nos calamos. A música pára, as pessoas calam-se e todo o mundo se cala. O tic-tac dos relógios não pára, nunca vai parar.
Os pirilampos vão e vêm e... dançam com a brisa do Outono que ainda está para chegar. Fecho os olhos e... Hoje vou para a Terra do Nunca. Não. Hoje não faço anos.
Ana Margarida Ramos,
4 comentários:
"Não somos pó, somos Magia!" Ainda bem que eles te ensinaram e tu não esqueces! Beijinho *
Acho que tu me tinhas dito que não gostas que te deiam os parabéns, mas olha, eu vou-tos dar, só para não dizeres que eu sou mazinha :b
aaw estás tão fofa na foto (:
obrigadaa :b
e parabéns (:
Comento novamente para te avisar que tens um selo no meu blog para ti :) *
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