Procuro-te por todos os lados, mas escapas-me por entre as mãos como os finos grãos de areia.
Por momentos encontro-te abraçado aos búzios do mar e agarrado às bóias da loucura.
Perto, de-ma-si-a-da-men-te perto. Há alturas em que só me quero ver livre de ti.
Olha para as gaivotas e vê como voam, livres, leves.
Gaivotas brancas, no céu azul. Coração frio no meu corpo, ou no teu.
Descruzo as pernas geladas do vento e caminho até ti. Forte, cada vez mais forte esta vontade de correr acompanhada pela brisa, que não é brisa, é o vento do meu Verão.
Olho para as gaivotas, que pousaram na areia fina. Não sei quem és, não sei quem eu sou.
Tento encontrar-te, estou à nora de mim. Corre para o Norte, que eu fico aqui.
Passo, a passo. Seguindo as pegadas, que se apagam com as ondas do mar. Apaga-me a memória, apaga-te de mim.
Não sei quem és, não sei quem sou. Não te quero aqui.
Vai embora e larga as bóias, a loucura ainda reside em mim.
E a cada pegada que sigo, aprendo que não estou sozinha na praia. Não sei quem és, mas estás comigo. Não sei para onde vais, mas eu vou contigo.
Ana Margarida Ramos,
4 comentários:
Adoro o teu blog
Wendy Darling
Tu escreves poesia em forma de prosa!
LINDO, LINDO, LINDO!
Como eu gostei deste texto, muito bom. Um dos melhores daqui, realmente tocante.
Como tens estado? :>
Estou normal, dentro dos possíveis.
Com tantos elogios que fazes aos meus pedacinhos de textos, fico mal habituada.
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