9 de setembro de 2011

A R E I A

Sentada com as pernas cruzadas a ouvir o vento, a ouvir-te a ti.
Procuro-te por todos os lados, mas escapas-me por entre as mãos como os finos grãos de areia.
Por momentos encontro-te abraçado aos búzios do mar e agarrado às bóias da loucura.
Perto, de-ma-si-a-da-men-te perto. Há alturas em que só me quero ver livre de ti.
Olha para as gaivotas e vê como voam, livres, leves.
Gaivotas brancas, no céu azul. Coração frio no meu corpo, ou no teu.
Descruzo as pernas geladas do vento e caminho até ti. Forte, cada vez mais forte esta vontade de correr acompanhada pela brisa, que não é brisa, é o vento do meu Verão.
Olho para as gaivotas, que pousaram na areia fina. Não sei quem és, não sei quem eu sou.
Tento encontrar-te, estou à nora de mim. Corre para o Norte, que eu fico aqui.
Passo, a passo. Seguindo as pegadas, que se apagam com as ondas do mar. Apaga-me a memória, apaga-te de mim.
Não sei quem és, não sei quem sou. Não te quero aqui.
Vai embora e larga as bóias, a loucura ainda reside em mim.

E a cada pegada que sigo, aprendo que não estou sozinha na praia. Não sei quem és, mas estás comigo. Não sei para onde vais, mas eu vou contigo.

Ana Margarida Ramos,

4 comentários:

JoanaFaustino disse...

Adoro o teu blog
Wendy Darling

Anónimo disse...

Tu escreves poesia em forma de prosa!
LINDO, LINDO, LINDO!

Anónimo disse...

Como eu gostei deste texto, muito bom. Um dos melhores daqui, realmente tocante.

Como tens estado? :>

Anónimo disse...

Estou normal, dentro dos possíveis.
Com tantos elogios que fazes aos meus pedacinhos de textos, fico mal habituada.